A Semana



O mito de D. Yayá – Parte 1

Yayá, como era carinhosamente tratada Sebastiana de Melo Freire, era uma dos cinco filhos de Manoel de Almeida Mello Freire e Josephina Augusta de Almeida Mello, nasceu em 21 de janeiro de 1887.

Manoel de Almeida Mello Freire, seu pai, era de Mogi das Cruzes, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1857, aos 23 anos. Descendente de uma família de proprietários de terra seguiu a carreira modelo das elites paulistas. De bacharel, tornou-se político. Entre 1862 e 1867 teve assento na AssembléiaLegilastiva, depois participou do Senado Estadual e da Constituinte da República. Amante das letras, publicou “Henriqueta, poesias humorísticas e satíricas” em 1888.

Quando Yayá ainda morava em Mogi, na sua infância, os Mello Freire eram donos de boa parte da cidade. A mais famosa propriedade era uma chácara de 36 alqueires onde a família passava os finais de semana. A chácara ocupava parte do Mogilar, do Rodeio, do Shangai e do Centro Cívico, em um espaço onde hoje se encontram os prédios da Prefeitura e Câmara Municipal.

Quando completou sete anos, Yayá e família mudaram-se para a capital paulista para um palacete de dois andares na rua Sete de Abril, 37.

Em 1900 com uma diferença de apenas dois dias morreram seus pais. Com a morte deles, Yayá e seu irmão , o estudante de direito, Manoel de Almeida Mello Freire Júnior, tornaram-se herdeiros dos bens familiares e constituídos por um grande número de imóveis na Capital e em Mogi, valores e ações.

Em 1905, Manoel Júnior desapareceu misteriosamente durante uma viagem marítima a Buenos Aires.

Yayá, então com 19 anos torna-se a herdeira única de uma grande fortuna.

Até a perda dos pais, Yayá estudara em casa, sob os cuidados de Antonio de Barros Barreto, seu preceptor. A partir daí foi internada no tradicional colégio Nossa Senhora do Sion, frequentado pelas filhas da elite paulista. Com uma educação esmerada, Yayá falava francês, tocava piano, pintava, dominava as regras de etiqueta e fazia trabalhos manuais.

Yayá vestia-se do melhor, com discrição e elegância, como convinha uma senhora de sua posição. Possuia dois carros, uma limusine Renault e um “torpedo” Willys-Knight. Seu motorista, Augusto, irmão de uma antiga arrumadeira da casa, conduzia Yayá para seus passeios preferidos como a praia ou à fazenda em Guararema onde gostava de passear a cavalo pela mata.

Continua…

Fontes:

  • A Casa de Dona Yayá – Comissão de Patrimônio Cultural da USP – 1999
  • Diário dos 450 – Encarte Especial Comemorativo – 2010

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