A mogiana comandou o palco da Movimento Fest no último sábado (13/06), em um evento que uniu cultura e impacto social

Ela tem 20 e poucos anos, é negra, é bonita e o Alto Tietê já sabe: ela é de Mogi das Cruzes. No último sábado, dia 13 de junho, a rapper Ajulliacosta retornou à sua cidade natal para comandar o palco da Movimento Fest. Mais do que uma apresentação musical, o evento marcou o reencontro da artista com suas origens e funcionou como uma importante frente de arrecadação de alimentos e agasalhos para o projeto social idealizado por ela no município. “Para mim foi muito emocionante, porque eu tinha minhas amigas, minha família, enfim, presentes. Você ser daqui te faz refletir sobre toda a história e tudo o que eu passei para chegar até aqui. É muito gratificante”, desabafou a cantora logo após o show.
Consolidada como uma das principais referências de estética, postura e voz para as jovens da atualidade, a rapper enfatizou que compreende a responsabilidade de ocupar essa posição. “Eu sei o quanto é importante termos referências. Quando criança, eu também tive as minhas e espero estar fazendo um bom trabalho agora para as meninas da Zona Leste e da nossa região”, pontuou.
A vinda do show para o município contou com o suporte estratégico de quem acompanha a trajetória da artista desde o início. O empresário Leonardo Faria dos Santos, de 31 anos, proprietário da XCont Contabilidade, patrocinou a iniciativa e relembrou os tempos em que ambos dividiam a mesma realidade. “Nós moramos juntos no CDHU, lá em César de Souza. A gente se conhece desde criança e fazia tudo junto. Hoje, nossa empresa cuida da contabilidade dela. Ver a Júlia voltar para Mogi e trazer esse espetáculo é um movimento que precisávamos apoiar. A cidade precisa de eventos assim, e a Movimento Fest veio para revolucionar o cenário local”, afirmou o amigo de infância.
Além da vertente cultural, o evento adotou um caráter estritamente solidário. O público trocou os acessos ao festival por um quilo de alimento não-perecível ou por um agasalho. Toda a arrecadação foi revertida para a ONG Nós, Mães de Família, instituição fundada por Ajuliacosta que atua no amparo a mulheres que chefiam lares sozinhas e enfrentam vulnerabilidade socioeconômica. No Brasil, o segmento de mães solo representa até 15% dos lares, sendo que mais da metade vive abaixo da linha da pobreza e 64,4% dessas mulheres são negras.
De acordo com Paloma, que está à frente da gestão operacional da ONG, o projeto tem apenas três meses de existência e concentra suas primeiras ações estruturadas em Mogi das Cruzes, justamente pelo vínculo afetivo da fundadora com o território. “Nossas expectativas são as melhores. O projeto ainda está em processo de estruturação, mas já realizamos dois atos fundamentais. Para o próximo mês, planejamos uma mega-ação de imersão voltada para as mulheres cadastradas no nosso último evento”, adiantou Paloma. “Será um dia completo com palestras, psicólogos, atendimento jurídico e suporte de desenvolvimento pessoal.”
E fora da ONG, AJU deixa um recado para as jovens que sonham em ocupar grandes palcos e “pensar como divas”: “O primeiro passo é ouvir a voz do seu coração e fazer. Eu sempre digo que eu não sabia antes de fazer. Aprendi fazendo. Muitas vezes achamos que precisamos estar prontas para começar alguma coisa, mas é a vida e as experiências que vão deixando a gente cada vez mais lapidada. Então, façam”, concluiu a rapper, que, com carinho, garantiu um retorno futuro a Mogi das Cruzes.


