Passado e presente unidos em uma linda história
No dia 1º de setembro, Mogi das Cruzes completa 465 anos. Entre ruas estreitas, praças históricas, cinemas que marcaram gerações e comércios tradicionais, a cidade que antes era tranquila e interiorana se transformou em um município moderno e acolhedor. Para quem cresceu e trabalhou em Mogi, cada esquina guarda lembranças afetivas, histórias que se entrelaçam à formação pessoal e profissional de seus moradores e à memória coletiva da comunidade.
Sérgio Luiz de Miranda, CEO da Autoescola Shangai, chegou à cidade em 1960 ainda criança, quando seu pai, policial militar, foi transferido para a antiga Guarda Civil. Crescendo nos bairros Vila Industrial e Socorro, Sérgio guarda memórias de uma Mogi das Cruzes simples, romântica e promissora. Ele lembra com emoção do enorme tobogã que existia no espaço onde hoje está o centro cívico, do rapaz que pintava carrocerias de caminhão e era barbeiro, que se vestia como Santos Dumont, e dos cinemas Urupema, Odeon e Cine Park, símbolos de um tempo em que a cidade era mais próxima e acolhedora.
“Antes, Mogi era romântica; hoje é moderna, crescendo com responsabilidade”, diz Sérgio. Para ele, o que mais emociona é ver a cidade manter elementos históricos, como praças e construções antigas, mesmo em meio ao crescimento urbano acelerado. As ruas do centro, embora preservadas, contrastam com a expansão lateral que transformou bairros e trouxe novas oportunidades, reforçando o equilíbrio entre memória e progresso.
Marco Antonio Nogueira Zatsuga, da Organização São Francisco de Assis, também compartilha memórias de uma Mogi de ruas de terra, iluminação fraca e comércio de proximidade, onde todos praticamente se conheciam. Nascido em Sorocaba e residente em Mogi desde os primeiros meses de vida, Marco se considera um mogiano de coração. Ele relembra momentos no Ginásio de Esportes do União, onde atuou como treinador de futsal e técnico da Seleção Mogiana, e observa que o crescimento da cidade trouxe desafios como o trânsito intenso, mas mantendo sempre a hospitalidade e o espírito comunitário que marcaram Mogi.
Para ambos, o comércio local é parte fundamental da história. Sérgio vê na Autoescola Shangai o reflexo de uma cidade que preserva tradições, enquanto Marco, à frente da Organização São Francisco de Assis, lembra que a instituição completará 75 anos de atuação em outubro, consolidando-se como um marco da cidade. As famílias, restaurantes e estabelecimentos antigos continuam firmes, conectando passado e presente.
A nostalgia também se estende às lembranças cotidianas da infância e juventude: brincar sem medo de violência, subir e descer bairros pelo Córrego do Lava Pé, frequentar cinemas históricos e observar transformações na arquitetura da cidade. Cada detalhe faz parte da identidade mogiana e do orgulho de ser morador da cidade.
Mogi das Cruzes cresceu, modernizou-se e se transformou, mas o vínculo emocional permanece intacto. Entre ruas antigas, praças preservadas e bairros que se expandiram, os moradores celebram a cidade que acolhe, transforma e inspira. A cada esquina, memórias e histórias se entrelaçam, mantendo viva a essência de uma cidade que, mesmo em seu 465º aniversário, ainda respira o charme do passado, mas olha para o futuro com esperança e responsabilidade.
Para os mogianos que acompanham sua evolução, o crescimento não apagou a memória afetiva de tempos que guardam histórias inesquecíveis. A cidade, que uniu tradição, história e progresso, segue forte, vibrante e orgulhosa de cada pessoa que construiu sua trajetória.
Foto 1 – Zatsuga conta com nostalgia os momentos mágicos que teve em Mogi
Foto 2 – Sérgio relembrauma cidade romântica e promissora