A Semana



Como o futebol de várzea e suas torcidas ajudam a comunidade

Não é absurdo dizer que nas tradicionais terras das periferias nascem entre muitos torcedores e jogadores a paixão pelo futebol, esporte mais acompanhado, praticado e amado do nosso país. O futebol de várzea surgiu em campos feitos às margens do rio Tietê, em São Paulo, antes mesmo de se encarar tal atividade como meio profissional no Brasil. Esta prática amadora fez surgir os primeiros times conhecidos como clubes de várzea.

Neste cenário, a torcida é muito importante. Os Ultras 1978, do bairro Jardim Claudia, em Diadema, marcam presença em todos os jogos do time e realizam eventos comunitários para crianças e moradores do bairro. Antônio Bastos do Santos Filho, membro da torcida Ultra, explica como funciona essa relação da torcida com a comunidade nas questões sociais.

“O papel da torcida é fundamental na rotina da comunidade e nos tornamos um braço importante para a coletividade”, diz. Em relação aos trabalhos sociais e ajudas comunitárias empregadas pela torcida, são feitos sempre com periodicidade. “A torcida tem sua ideologia própria e não se vende para políticos, sempre procurando sobreviver com independência e pelos seus próprios meios.”

Infelizmente, o cenário do futebol varzeano, apesar de apaixonado, ainda convive com dificuldades muito parecidas com os problemas sociais que são refletidos pelo seu povo. A falta de investimento, de condições ideais de propagação do esporte, de manutenção das equipes, são lembretes diários da missão que as torcidas e times possuem.

André Matias, administrador da página esportiva “Tudo Sobre Várzea”, mídia digital direcionada para divulgação desta modalidade de futebol, acredita que a várzea merece mais investimentos por toda a importância que ela possui no desenvolvimento das comunidades nas mais diferentes regiões. “A boa notícia é que nos últimos anos estão crescendo o interesse em campeonatos e times. Nesse ritmo, penso que nos futuro teremos um cenário bem mais estruturado.”

Ricardo Santos, presidente do Sansil, time de São Bernardo do Campo que disputa a principal liga do ABC, explica quais os pontos mais sensíveis na administração e rotina de um clube que não é profissional e nem tem fins lucrativos, bem como a maneira que o time e a torcida influenciam na sociedade.

“A administração requer muito planejamento. Todos os times precisam se filiar a uma liga, depois, é necessário a evolução constante para que as divisões sejam escaladas. É impossível começar diretamente na divisão especial, onde se encontra o Sansil atualmente.”

Dentro desta estrutura citada por Ricardo está a manutenção dos jogadores e logística necessária para organização do elenco. “A maioria dos nossos jogadores chegam da escolinha disponibilizada para a comunidade, que por sua vez procura das oportunidades para que os jovens tenham essa integração social e comecem a praticar um esporte.”

Ricardo esclarece que o time não tem patrocínio e o ideal é se manter independentes, mesmo com as dificuldades. “Aceitamos doações, cada um ajuda como pode, o que dificulta a manutenção de jogadores, as finanças do time, mas entendemos que essa união deixa mais intenso o sentimento de pertencimento à comunidade, bem como a paixão pelo time. As derrotas tendem a doer mais, mas as vitórias são mais saborosas também”, completa.

De acordo com o treinador, todo esse empenho e dedicação com projetos verdadeiramente sociais rendem frutos e mesmo que atinja uma única família, a sensação é de que todos comemoram juntos, de acordo com o treinador. “O episódio de sucesso mais recente é a ida de um jogador que faz parte do time e da comunidade para o Atlético de Madrid. É a oportunidade de transformar a vida desse jogador e dos seus familiares o que nos deixa muito realizados.”

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