A Semana



Um retrato da Comarca de Mogi em 1874

Mogi das Cruzes foi elevada à vila em 1º de setembro de 1611. Em 13 de março de 1865 foi elevada à cidade, e em 14 de abril de 1874 à comarca. Nessa data, 1874, Mogi tinha pouco mais de 14 mil habitantes, sendo 10% de escravos, 16 ruas, nove largos e três travessas.
A comarca corresponde ao território em que o juiz de primeiro grau irá exercer sua jurisdição e pode abranger um ou mais municípios, dependendo do número de habitantes e de eleitores, do movimento forense e da extensão territorial dos municípios do estado, entre outros aspectos.
A cidade possuía 42 armazéns de secos e molhados, 20 lojas de fazendas, 8 alfaiatarias, 5 alugadores de animais, 9 carpintarias, 2 tamancarias, 4 sapatarias, 7 fogueteiros, selaria, colchoaria, bilhar, açougue, ourivesaria e serralheria.
Havia 14 indústrias: 9 fábricas de vinho, dois cortumes, duas olarias e uma fábrica de cerveja.
Já às outras atividades resumiam-se na agricultura em várias fazendas onde se plantava muito café, algodão, milho, feijão, cana, uva, etc.
A igreja Matriz  tinha duas grandes torres, mas a praça e ruas eram de terra e sem árvores. Para se ter uma ideia do aspecto das praças e ruas da nova comarca, tomemos, por exemplo, às instruções da Câmara Municipal ao encarregado da limpeza pública: “Limpar a enxada as Rua das Flores (atual Flaviano de Melo), Municipal (atual Cel. Souza Franco), Alegre (atual Dr. Deodato Wertheimer), do Pito (atual Ipiranga) e travessas. Limpar a foice as ruas da Esperança (atual Barão de Jaceguai) e do Bom Jesus (atual Ricardo Viela) e o Largo Bom Jesus. Limpar e varrer os Largos do Rosário (atual praça da Marisa), Alegre (atual praça Oswaldo Cruz) e da Matriz (atual praça Cel. Almeida).
Limpar com enxada é que deveria ficar sem mato algum e com foice, ficariam uns cinco centímetros de mato.
Na cidade toda havia apenas 11 lampiões de querosene que muito pouco iluminava, tanto que em noites de lua cheia, por contrato, não deveriam ficar acesas a noite.
Apesar de toda essa pobreza, Mogi tinhas dois Deputados Provinciais que corresponde hoje a Deputado Estadual, ambos juízes, Dr. Salvador José Corrêa Coelho e o Dr. Joaquim Augusto Ferreira Alves.
Esse era o retrato de nossa Mogi das Cruzes quando foi elevada à Comarca em 1874.

Fontes

– História de Mogi das Cruzes – Isaac Grinberg – 1961

– História da Justiça em Mogi das Cruzes – Isaac Grinberg – 1977

Foto

– Gravura de Tomas Ender por volta de 1817 mostra arredores de Mogi das Cruzes ainda como vila.

Rouxinol Mogi

Mogiano, é designer gráfico com trabalhos em vários jornais da região. Pesquisador da história de Mogi das Cruzes há quarenta anos. Recebeu vários prêmios: duas vezes o “Profissionais do Ano” e uma vez “Personalidades de Mogi e Região”, prêmios esses pela divulgação da história de Mogi. Autor do livro “Mogy Antiga”, é membro da AMHAL - Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras.

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