
Antes da colonização, o Alto Tietê era habitado por povos indígenas como os Muiramomis, Tupiniquins e Tamoyos, cujo vocábulo batizou Mogi como “rio das cobras”. A fundação remonta a 1560 com a sesmaria de Brás Cubas, o povoamento oficial por Gaspar Vaz em 1601, sendo elevada a Vila em 1611. Em 1626, a Ordem do Carmo estabeleceu fazendas e ergueu construções barrocas. O núcleo urbano inicial cresceu entre a Matriz de Santa Anna e o Carmo, com casas de taipa de pilão. Por sua posição geográfica estratégica, a localidade tornou-se um entroncamento essencial para viajantes e tropeiros que iam a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e ao Centro-Oeste, servindo de entreposto abastecedor. Em 1822, acolheu D. Pedro I dias antes da Proclamação da Independência; em 1855, foi elevada a cidade.
A chegada da ferrovia em 1875 acelerou o processo de modernização e transformou o município em cidade-dormitório. No final do século XIX e início do século XX, recebeu imigrantes europeus e uma expressiva comunidade japonesa (a partir de 1919), consolidando a agricultura local como cinturão verde e celebrizando o cultivo do caqui.
O município também viveu a industrialização, enviou pracinhas para combater o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial e ampliou a malha viária com a Dutra e a Mogi-Bertioga. A partir da década de 1960, despontou como polo universitário. Culturalmente, preserva vivas manifestações de grande relevância, como a tradicional Festa do Divino Espírito Santo, marcada pela Entrada dos Palmitos, Congadas e Moçambiques, as celebrações do Akimatsuri.
Sob o olhar atento do historiador e professor Glauco Ricciele, a trajetória de Mogi das Cruzes ganha novas análises e impressões, revelando nuances do patrimônio, da memória e da identidade cultural que moldam a cidade ao longo dos séculos.

Glauco Ricciele é graduado em História (UBC), mestre em Políticas Públicas (UMC), pós-graduado em Gestão do Ensino Superior e técnico em Guia de Turismo (Etec). Docente do Centro Paula Souza desde 2011. É gestor público especialista em preservação, autor de livros e artigos, ex-membro do Comphap, criador do “Arquivo Mogyano” e do projeto (Re)Descubra Mogy, e fundador da AMHAL.


