A Semana



Cel. Almeida

No dia 18 de abril de 1847 na pequena Vila de Mogi das Cruzes nascia o filho da lavradora Inocência Maria Almeida. Ao menino foi dado o nome de Benedicto José de almeida, cuja vida, desde os primórdios, parecia estar predestinada se transformar em um marco histórico mogiano.

Aos oito anos de idade, começou a frequentar as aulas de alfabetização com o professor Fidélis. Ao terminar o ciclo de alfabetização, passou a frequentar as aulas de continuidade com o Capitão Manoel Caetano, licenciado pelo Governo Providencial para ministrar aulas de Português e Latim. Desde essa época, o menino demostrava ser uma pessoa dotada de grande inteligência e, a convite de Manoel Caetano, Benedicto passou a auxiliar as aulas que ele, como aluno, frequentava.

Com 18 anos de idade, passou a ter a responsabilidade de cuidar da sua casa e de seus irmãos, devido à morte de Dona Inocência. Apesar da tristeza, sua trajetória dedicada à favor dos mogianos continuou. O espírito de liderança com que lidava seus deveres, fez com que a sua imagem fosse conduzida à popularidade. Para os homens público da época, era tido como uma figura cujos dotes o levariam ao destaque na vida política da cidade. Em pouco tempo, foi convidado para filiar-se ao Partido Conservador. Chegou ser eleito vereador, mas logo, se distanciou da política por não se identificar com os ideais partidários. Mesmo longe da vida pública, sempre fez da sua própria força política uma ferramenta para a realização de benfeitorias para tão amada terra. Participando dos movimentos mais importantes daquela época, vale registrar o ano de 1873, quando foi um dos fundadores do Asilo da Sociedade Mogiana de Beneficência, atual Santa Casa da Misericórdia.

Demonstrando afinidade com o movimento republicano, Benedicto retornou à política e, junto de outros líderes, como o Cel. Souza Franco, apoiando a proclamação da república em Mogi das Cruzes. Em 19 de novembro de 1889, a Câmara Municipal, sob sua presidência, se reuniu para comunicar tal feito aos mogianos e para a menção de aplausos aos proclamadores republicanos, que pôs fim ao Governo Imperial.

Em fevereiro de 1890, o Governo Republicano provisório, afim de assegurar o sucesso do golpe, pediu a dissolução das Câmaras Municipais. Benedicto José de Almeida, assim como os outros vereadores, foi destituído do cargo. Fato que levou a se distanciar novamente da vida política, ainda que temporariamente.

Em janeiro de 1891, sendo um dos grandes benfeitores, foi eleito Presidente da Sociedade Mogiana de Beneficência que, em anos anteriores, ajudara a fundar. Nessa mesma data, lançou a campanha para obter recursos para a construção de um novo prédio para o hospital. Foi graças à sua liderança que as novas instalações vieram a ser inauguradas em julho de 1899. Foi um grande salto para a solidificação da instituição.

Em janeiro de 1896, quando já havia iniciado uma outra fase política na sua vida, foi reeleito Presidente da Câmara Municipal onde permaneceu até 1904.

No exercício de sua vereança, lhe coube as maiores iniciativas e as grandes vitórias para instalação do “Primeiro Grupo Escolar De Mogi das Cruzes”, que, atualmente empresta o seu nome. Além desse valoroso e histórico ato, teve outas importantes realizações que vieram contribuir, decisivamente, para evolução do ensino e educação mogiano.

Em 1900, presidiu a ” associação Construtora do Teatro”, que resultou na Obra e Fundação do “Teatro Vasques”, em dezembro de 1902. Em 1908, retornou a presidir a Câmara Municipal, dando continuidade aos trabalhos. Nesse mesmo ano, adquiriu a alta patente da Guarda Nacional. Muito admirado e respeitado por tudo que vinha conquistando, passou a ser chamado de Coronel Almeida. Em maio de 1909, data da inauguração da luz elétrica em Mogi das Cruzes, a chave de inauguração recebeu seu nome.

Em junho de 1911, data que foi instalado oficialmente o primeiro Tiro de Guerra de Mogi das Cruzes, incorporado pelo antigo Departamento de Guerra sob o número 120 e foi eleito o seu primeiro Presidente.

Em julho do mesmo ano , após ter deixado a presidência da Câmara Municipal e de ser afastar novamente da política o Partido Republicano Paulista o lançou para concorrer contra Dr. Armindo Freire à vaga de vereador deixada pela renúncia do Major Arouche de Toledo. Foi sua última estada na política. Ao findar o ano, deu-se por encerrada a sua brilhante carreira.

Faleceu em 4 de setembro de 1920.

Fontes:

  • Informações obtidas através de seu bisneto José Roberto de Almeida
  • História de Mogi das Cruzes – Isaac Grinberg – 1961

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