
As eleições de 2026 consolidam o ingresso definitivo da Inteligência Artificial (IA) no cotidiano político brasileiro. Se em pleitos anteriores a discussão orbitava a proliferação de fake news em aplicativos de mensagem, o cenário atual exige reflexão sobre o impacto do uso de redes neurais, geradores de áudio, deepfakes e hipersegmentação de dados na decisão do voto. Em Mogi das Cruzes e nas demais cidades do Alto Tietê, essa transformação digital encontra um eleitorado plural, atento e dinâmico.
O perfil do eleitor regional reflete a diversidade do Alto Tietê: uma combinação de tradição e modernidade. De um lado, há uma população historicamente ligada ao setor produtivo, ao cinturão verde e ao comércio local, que valoriza o contato presencial e as propostas para a infraestrutura urbana. De outro, observa-se uma crescente massa de jovens eleitores e trabalhadores conectados, que consomem informação quase exclusivamente por meios digitais. É nesse ecossistema heterogêneo que as ferramentas de IA passam a atuar, tanto na formulação de estratégias de campanha quanto no direcionamento do debate público.
Por um lado, a IA oferece mecanismos para aproximar o cidadão das propostas governamentais, permitindo a síntese de planos de gestão complexos e facilitando a transparência de dados públicos. Por outro, o uso indevido da tecnologia impõe desafios sérios ao processo democrático. A criação de conteúdos manipulados e a distribuição massiva de desinformação personalizada podem distorcer o debate sobre demandas locais cruciais, como mobilidade, saúde e desenvolvimento sustentável.
Neste novo contexto, a responsabilidade deve ser compartilhada. Cabe às instituições fiscalizadoras e à Justiça Eleitoral garantir a integridade do pleito, enquanto candidatos devem pautar o uso da tecnologia pela ética. Para o eleitor de Mogi e região, a reflexão crítica e a checagem das informações tornam-se ferramentas tão indispensáveis para o exercício da cidadania quanto a própria urna eletrônica.


