
Mogi das Cruzes mantém sua história mais viva e protegida há uma década graças à fundação, em 1º de setembro de 2016 — data que coroa o aniversário do município —, da AMHAL (Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras). Mais do que um marco cronológico, a data coroa uma trajetória sólida de resistência cultural, salvaguarda do patrimônio e incentivo à literatura e às artes na terra das cruzes.
A semente da academia foi plantada em fevereiro de 2016, fruto de articulações nas redes sociais entre o historiador, docente e gestor cultural Glauco Ricciele e a professora Vera Lúcia Meira Magalhães. A materialização do sonho ocorreu em março do mesmo ano na Câmara Municipal, ganhando contornos solenes sob as arcadas da histórica Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo.
Para Glauco Ricciele, idealizador e primeiro presidente da casa, a maior conquista da instituição ao longo dessa década foi justamente a sua consolidação institucional. “Erguemo-nos e consolidamo-nos como uma guardiã ativa e autoridade cultural respeitada na cidade, funcionando como um verdadeiro farol de resistência contra o esquecimento”, destaca o historiador, apontando também conquistas vitais como o assento no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico (COMPHAP) a partir de 2017 e a criação da Placa de Mérito Cultural “Sant’Anna das Cruzes de Mogy”, além do registro permanente da nossa trajetória no livro comemorativo AMHAL 10 Anos de Arte e Memória e a capacidade de manter a vitalidade das 40 cadeiras e de seus patronos na comunidade.
Ao longo desses dez anos, mesmo lidando com o desafio da itinerância — realizando reuniões e encontros em casarões, cafés, universidades e no ateliê da professora Maria José Martins de Camargo —, a AMHAL manteve o foco na comunidade. Um dos grandes destaques é a aproximação com as novas gerações por meio do projeto Jovem Escritor em parceria com o Lions Clube, além de aulas-roteiro e videoaulas do projeto (Re)Descubra Mogy das Cruzes. “Incentivar os jovens talentos e formar novas vozes é parte vital do nosso compromisso para garantir a renovação do público e do interesse cultural”, reforça Glauco.
Perda de Rouxinol
A celebração dos 10 anos, contudo, será marcada por um profundo sentimento de saudade. Recentemente, a AMHAL sofreu a perda irreparável de um de seus membros mais ativos: Rosival dos Santos, carinhosamente conhecido como “Rouxinol Mogi”. Titular da Cadeira nº 16 (tendo como patrono Abib Neto), Rouxinol deixou um legado incalculável como pesquisador incansável da memória mogiana, premiado como Historiador Digital Destaque e autor do livro Mogy Antiga. Sua ausência deixa uma lacuna imensa, mas sua obra continua ecoando na identidade da cidade.
Celebração
Para marcar essa data tão especial, a AMHAL realiza uma celebração oficial no dia 3 de outubro, às 10h, no Casarão do Carmo. O evento contará com sessão solene e o aguardado lançamento oficial do livro AMHAL 10 Anos de Arte e Memória, organizado pela confreira Amair Campos, eternizando a biografia de patronos, a trajetória da instituição e o talento de seus acadêmicos.


