
Com construção iniciada em 1855, a 10 de setembro de 1858, a pedido do Tenente Manuel Jose Martins, o Vigário Padre Francisco de Mello Franco benze a nova capela de Nossa Senhora do Socorro. Com o decorrer do tempo a capela foi demolida em 1951. A construção da nova igreja do Socorro começou em 1955 e foi concluída em 1963.
Quanto à história da imagem dessa igreja, um texto do saudoso amigo Jurandyr Ferraz de Campos nos traz luz sobre o assunto:
“A imagem de N.S. do Socorro já era venerada na então vila de Mogi, desde o século XVII. A provável origem desse culto parece prender-se à Ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias. No século XV, com a colonização daquela ilha, foi construída uma ermida em louvor a N. Senhora, com o título de “do Socorro”.
Em Mogi, o primeiro devoto e zelador da imagem, que deve ser a mesma de nossos dias, foi o bandeirante João Pais Florim, no final do século XVII, no local onde morava, junto ao rio Jundiaí, por isso conhecido como “Socorro Velho”. Mais tarde, já o encontramos residindo em sua chácara no Ipiranga que era conhecida como “do pedreiro”, por causa de seus companheiros pedreiros Miguel Pereira e José Vidal de Abreu. Eram eles os guardas legítimos e primeiros devotos da imagem que era cultuada, não em uma capela, mas certamente num altar doméstico na casa daquele bandeirante.
Frei Timóteo, o saudoso carmelita historiador, nos conta que “ninguém podia duvidar que seriam eles os guardas legítimos da primitiva imagem venerada pelos antigos índios oficiais, operários das estradas das primeiras eras da existência da vila de Santa Ana das Cruzes de Mogi. Esta imagenzinha era a consolação das mães com as suas criancinhas e a força e confiança dos homens que nela viam, com sua fé, o porquê de suas lutas diárias e a esperança de que esta Senhora do Socorro, de seu acompanhamento, não deixaria faltar os socorros e as faculdades de seus “serviços” para “El Rei Nosso Senhor”. Viam naquela Senhora aquela que obtivera a vitória mais preciosa, a liberdade para os índios, por força da lei de 10 de setembro de 1611, publicada pelo Rei Felipe III, que, pro providência de Deus, ficou sendo o dia da celebração da festa de Nossa Senhora do Socorro em nossa cidade.”
Até o século XIX, não sabemos onde estava o local do seu culto, que deveria continuar sendo domiciliar, pois então era propriedade particular de Dona Maria Domingas. Aos 10 de outubro de 1855, Dona Maria fazia doação da querida imagem para a futura paróquia, na presença do Pe. Manoel Constantino de Camargo. Essa doação se fazia contra o pagamento de uma pensão para a velha senhora, no valor de cinco mil réis por mês para garantir sua subsistência.
Alguns anos mais tarde, 10 de setembro de 1858, a nova capela era inaugurada. Atendendo a pedido do Procurador do Carmo, Tte. Manoel José Martins, o vigário Pe. Francisco de Mello Franco fazia o benzimento do novo templo e a velha imagem, transladada da antiga capela, ocupava o seu novo trono. O local era o mesmo onde se encontra até hoje, se bem que em nova igreja construída por frei Timóteo.”
Fontes:
– Jurandyr Ferraz de Campos
– História de Mogi das Cruzes – Isaac Grinberg – 1961
– Desenho da imagem de N. S. do Socorro feita por Tunico de Paula para o livro Santa Anna das Cruzes de Mogy, Huma villa de Serra aSima de Jurandyr Ferraz de Campos – 1978
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Rouxinol Mogi
Mogiano, é designer gráfico com trabalhos em vários jornais da região. Pesquisador da história de Mogi das Cruzes há quarenta anos. Recebeu vários prêmios: duas vezes o “Profissionais do Ano” e uma vez “Personalidades de Mogi e Região”, prêmios esses pela divulgação da história de Mogi. Autor do livro “Mogy Antiga”, é membro da AMHAL – Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras.


