A proximidade entre o 1º de maio, Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e o Dia das Mães, comemorado neste ano no dia 10 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre o descompasso entre a organização do mundo do trabalho e o papel social atribuído às mães.
Para as mulheres que conciliam carreira e maternidade, o expediente não termina ao “bater o cartão”, mas dá início a uma segunda jornada ininterrupta, equilibrando a carga mental e física dos afazeres domésticos, cuidados com a família e a pressão do autocuidado.
O conflito de identidade entre a profissional competente e a mãe presente evidencia que a exaustão materna é um problema estrutural, e não apenas individual e mesmo em lares com divisão ativa de tarefas, a carga mental, a organização da rotina e a presença emocional direcionas à mulher, e o resultado é uma sobreposição de responsabilidades que gera culpa e o abandono do autocuidado. Mães priorizam a família e o trabalho, esquecendo-se de si mesmas por não darem conta de um sistema que exige perfeição em ambos.
Atualmente, a CLT assegura ao trabalhador e à trabalhadora o direito de se ausentar do trabalho, sem prejuízo do salário, em duas situações específicas relacionadas aos filhos: para acompanhar crianças de até seis anos em consultas médicas e para participar de reuniões escolares, limitado a um dia por ano, mas qualquer pessoa que acompanha minimamente a rotina de uma criança ou adolescente sabe que esta regulamentação é completamente insuficiente.
Medidas de apoio à parentalidade são especialmente benéficas para as mulheres mães, que carregam o maior peso das responsabilidades domésticas e do cuidado com os filhos, muitas vezes acumulando jornadas duplas ou triplas de trabalho. Para além de um dia de folga, este 1º de maio é um convite para reconhecer a competência de uma mãe e garantir que ela possa pendurar o crachá sem carregar consigo o peso de uma exaustão que a sociedade ainda insiste em romantizar.


