A Semana



Dragão Negro transforma vidas pelo futebol em Jundiapeba

Projeto criado em 1979 reúne 200 crianças aos sábados

O que começou em 1979, pelas mãos do fundador Tonhão, em Jundiapeba, Mogi das Cruzes, tornou-se um dos projetos esportivos de base mais tradicionais da região. Após o falecimento do idealizador, o trabalho foi assumido pelo filho, Marcos Alberto Campos Neto, o Betão, que hoje preside o Dragão Negro e mantém viva a missão de usar o futebol como ferramenta de transformação social.
Com cerca de duas mil famílias cadastradas, o projeto atende atualmente entre cem e 200 crianças e adolescentes, de sete a 17 anos, divididos por categorias. Os treinos acontecem aos sábados, das 9h às 13h, em campo concedido pela prefeitura, com apoio de voluntários. Tudo é oferecido de forma gratuita e sem patrocínio fixo.
Além da prática esportiva, o Dragão Negro também cumpre um papel social essencial. As crianças recebem café da manhã, viabilizado por meio de doações. Segundo o presidente, muitas delas chegam cedo também pela refeição: “Oferecemos água, refrigerante e pão com mortadela”.
O sub-15 do projeto, considerado de alta performance, disputa a segunda edição da Copa Pulsa, que reúne 20 equipes do Alto Tietê. A inscrição custou R$600 e a arbitragem da primeira fase é de R$175 por jogo. A competição começou no dia 14 e segue até abril. “Para a gente, que faz tudo gratuito, não tínhamos condições de pagar inscrição e arbitragem. Hoje conseguimos uma parceria e vamos entrar nesse campeonato de alto rendimento”, afirma Betão.
Há três semanas, o projeto iniciou uma nova fase com a chegada do comendador brasileiro, Marcos Bastos, e de sua esposa, Andreia Bastos, que passaram a colaborar na estruturação e profissionalização do Dragão Negro. A proposta é fortalecer a base organizacional, buscar parcerias e ampliar o alcance social da iniciativa.
A meta inclui levar ao projeto profissionais como fisiologista, fisioterapeuta, ortopedista e nutricionista, garantindo acompanhamento adequado aos jovens atletas. “Com a nutrição, veremos a parte da alimentação. Vamos lutar para que eles recebam um kit no café e outro depois do treino. Aí, tudo começa a mudar”, destaca Andreia.
O olhar do casal também está voltado ao chamado “extra-campo”, acompanhando as famílias e buscando oportunidades educacionais e de qualificação. Há diálogo com o Sebrae-SP Alto Tietê para que, quando atingirem a idade adequada, os jovens possam realizar cursos gratuitos, ampliando perspectivas profissionais.
Para o comendador, estruturar o projeto é essencial para que ele seja reconhecido e apoiado, inclusive com o apoio de grandes empresas. “Percebemos que toda grande empresa tem uma forma formal para você chegar até o departamento que faz incentivo. Queremos fazer isso acontecer, porque, às vezes, por não conhecer esse caminho, a necessidade não é enxergada”, afirma.
A intenção é transformar o espaço em um polo estruturado de formação e captação, consolidando a escolinha como referência não apenas no esporte, mas também na construção de valores como disciplina, respeito e responsabilidade. Mais do que treinar atletas, o Dragão Negro busca formar cidadãos — dentro e fora das quatro linhas.

Atletas do Dragão Negro treinam em Jundiapeba, de forma gratuita, unindo futebol e ação social

Redação

Fundado em de maio de 1998, o jornal A Semana pauta seu trabalho jornalístico nos princípios da ética e profissionalismo, oferecendo informação, cultura e entretenimento a milhares de leitores.

Comente abaixo