A Semana



Capela de Santo Ângelo

A capela de Santo Ângelo foi fundada em 1738 pela Ordem dos Carmelitas. A técnica empregada na construção das paredes estruturais foi a taipa de pilão e, nas paredes, divisórias a taipa de sebe ou pau a pique. A capela servia para cultos religiosos e hospedagem de seus devotos, que participavam, no mês de maio, das festividades comemorativas ao santo. Na parte térrea da capela, do lado esquerdo, ainda podem ser encontrados os quartos das mulheres, e na parte superior, o sótão que alojava os homens.  Este patrimônio é um dos únicos existentes no Brasil, com esse tipo de junção específica: alojava mulheres, homens e animais.
A igreja, por sua existência e preservação, sofreu poucas restaurações. Uma delas é a torre. Ela não é original. Foi erguida nos anos 40.
No altar da igreja, há a imagem de Santo Ângelo, única no Brasil.
Aliás, vale dizer que Santo Ângelo, nascido em Jerusalém em 1185, foi um dos primeiros sacerdotes membros da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Segundo a tradição, seus pais eram judeus convertidos ao cristianismo, depois que a Santíssima Virgem Maria apareceu a eles.
Desde criança, mostrou-se com extraordinários dons espirituais e intelectuais. Aos 15 anos, já falava grego, latim e hebraico. Aos 25, decidiu entrar na ordem dos carmelitas que habitavam no convento de Santa Ana (Jerusalém), onde realizou sua profissão de fé, converteu muitos com sua pregação e milagres e foi martirizado por volta de 1226, na Sicília, Itália.
A capela de Santo Ângelo quase deixou de existir certa época. Tudo começou quando os engenheiros do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) iniciaram o levantamento do terreno para a construção da barragem.
Em 1914, os frades carmelitas venderam grandes extensões de terra, doadas por Brás Cubas, para um senhor de São Paulo, e este, as vendeu para o grupo Jafet, proprietário da Mineração Geral do Brasil, depois COSIM. Depois, veio a represa, e as terras foram desapropriadas. Depois de conversações, não foram desapropriadas.
Quanto à festa de Santo Ângelo, antigamente durava oito dias. O principal da festa era o afogado, servido primeiramente as mulheres e depois aos homens. Essa festa já tem mais de 280 anos.

Fontes:

– Revista Que é que meu bairro tem – Projeto Ariano Vilar Suassuna – Dezembro de 1986

– História de Mogi das Cruzes – Isaac Grinberg – 1961

Foto:

– Capela (esquerda) e Santo Angelo

Redação

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