
Dona de uma simpatia ímpar, uma lucidez admirável e uma fé inabalável, Ilda Torres Kummer celebrou no dia 28 de setembro a impressionante marca de 110 anos com uma trajetória de gratidão e paz. Nasceu em 1916, no distrito de Ferraria, em Campo Largo-PR, porém foi registrada em Curitiba e cresceu no sítio da família – também uma colônia de italianos – ao lado de nove irmãos. Morou na capital paranaense até 2020, quando, em razão da pandemia, mudou-se para Mogi, mais perto dos familiares que residem na nossa cidade. Da infância, recorda-se da rotina escolar, das brincadeiras de caracol e do cheiro da polenta e do risoto preparados por sua mãe. Estudou na Escola Normal para ser professora, mas optou por não concluir o Magistério. Guiada pelos sábios conselhos de seu pai, transformou o encanto pela educação em um alicerce para sua vida, direcionando seus passos na construção de uma trajetória de dedicação absoluta ao lar e à família.
Sempre dedicada ao lar e aos fundamentos cristãos, construiu uma trajetória repleta de boas ações. Em 1938, casou-se com Luiz Kummer, descendente de alemães e funcionário do Banco do Brasil, a quem conheceu durante um passeio dele de motociclo pelo sítio de sua família. Viúva desde 1997, criou com amor os quatro filhos: Luilda, 87, Elemira, 86, Luis Carlos, 82, e Evaldo José, 80, que floresceram sua árvore genealógica com 12 netos, 22 bisnetos e 5 tataranetos. E resume a alegria desse legado com carinho: “É uma delícia reunir a família, fico feliz por ver todos bem!”. Vovó Ilda mora no Residencial Veredas, no Botujuru, com o filho Luis Carlos e a nora Neli, tendo a proximidade do neto Luiz Roberto. Libriana, acolhedora e sempre de bom humor, diz que seu segredo de longevidade são os hábitos saudáveis: consome só os derivados de leite, muita verdura e aveia, cenoura ralada, mel e suco de laranja no café da manhã. E, mesmo após uma cirurgia no fêmur aos 107 anos, mantém-se ativa: joga buraco todas as tardes, faz bordado, crochê e caminha pelo condomínio, com seu andador, em dias de sol. Não perde o programa Roda Roda Jequiti, no SBT, e quase sempre acerta as palavras. Vaidosa na medida certa, não abre mão de roupas combinando, unhas impecáveis e seu relógio de pulso. Sua cor preferida é o branco e não dispensa um hidratante após o banho. Católica, lê a Bíblia e reza o terço todas as noites. Conta que teve o privilégio de viajar para a Alemanha, Jerusalém e à mítica Itália, terra de sua mãe, Josefina Sávio Torres, vinda do Vêneto. Seu pai, Campolim Alves de Almeida Torres, era um homem influente e conselheiro da região, descendente da linhagem do Visconde de Macahé. Ela acredita que sua longa vida é também fruto dos valores herdados dos pais, como ser religiosa, trabalhadora e grata a Deus. Sua frase: “Que Deus abençoe a todos e que vocês também possam chegar à minha idade com saúde”.


