A Semana



Mogy Antiga: Clarice Jorge

Clarice nasceu em Mogi das Cruzes na rua Casarejos, em 8 de dezembro de 1936. Depois morou na Cabo Diogo Oliver e em duas casas no início da Barão de Jaceguai. Começou a dar aulas aos 15 anos, em um curso noturno para adultos, à luz de lamparinas. Foi professora até se aposentar, formada pelo tradicional IEWL (Instituto de Educação Dr. Washington Luís) e depois pela Faculdade de Pedagogia da Omec (Organização Mogiana de Educação e Cultura).

A sapeca Clarice, que adorava soltar balão, teve duas professoras que considera muito importantes em sua formação como professora, atriz e diretora: Maria Elisa Lamaneris e Maria Aparecida Fonseca.

A primeira a fez prosseguir na carreira do magistério e a segunda, além de incentivar a aluna a escrever, um dia mandou que as normalistas escrevessem sobre teatro e pediu que escolhessem uma peça para montar. A peça escolhida foi “Pluft, o Fantasminha”, texto infantil de Maria Clara Machado, escrito em 1955.

Gênio forte e decidido, ela sempre foi uma pessoa sozinha. E foi assim, sozinha, que Clarice Jorge assistiu à primeira peça de teatro de sua vida, “Yerma”, com Cleyde Yáconis, no início da década de 1960.

Os tempos de estudante no IEWL eram incentivadores e foi lá que ela, ao lado de companheiros como Milton Feliciano de Oliveira e José  Cardoso Pereira, começaram, brincando, a fazer leituras dos textos que eles mesmos escreviam.

O grupo cresceu e passou a ser integrado por Jonas Cardoso, Eladia Morales, Walter Padgurschi, Sergio Correa, Miguel Colella Neto, Regina Lúcia Moreira Gomes, Marcos Nahum entre outros. Assim nasceu o TEM (Teatro Experimental Mogiano).

No TEM, Clarice participou primeiro como integrante do coro (narradores da história, intermediários entre os atores e a plateia) da peça “Aquele que diz Sim Aquele que diz sim e Aquele que diz não”, de Bertold Brecht, e depois em “Canudos”, escrita por Milton Feliciano. Só depois é que, mais experiente, se tornou atriz e diretora. Como atriz, sua primeira atuação foi em “Sem Eu”, de Benê Rodrigues, em 1970, peça em que ela representava uma prostituta e que fazia, em cena, um ato sexual, uma ousadia para a época. A interpretação lhe valeu o prêmio de melhor atriz no 8º Fetaesp (Festival de Teatro do Estado de São Paulo), ao lado dos companheiros Ricardo Blat, melhor ator coadjuvante, e Joaquim Rodrigues Neto, melhor sonoplastia. Segundo Clarice, o papel de sua vida foi Alzira Power, personagem da peça homônima de Antônio Bivar, de 1969, uma mulher explosiva, bem informada, irreverente e desbocada.

Eu tive o privilégio de ter aulas de teatro com ela no antigo São Marcos na rua Senador Dantas nos anos 80. Na época eu era do grupo Grumont e participamos de dois festivais de teatro amador de Mogi e também fui sonoplasta de uma apresentação da peça “A Última Estação” do Nelson Albissú no Festival de Teatro de Sertãozinho. A peça, hoje, um clássico do Albissú era encenada pela Clarice Jorge e Gil Fuentes.

Clarice Jorge faleceu em sua casa em 3 de julho de 2025 aos 88 anos.

Fonte:
– Entrevista com Vanice Assaz
Foto:
– Clarice Jorge

Rouxinol Mogi

Mogiano, é designer gráfico com trabalhos em vários jornais da região. Pesquisador da história de Mogi das Cruzes há quarenta anos. Recebeu vários prêmios: duas vezes o “Profissionais do Ano” e uma vez “Personalidades de Mogi e Região”, prêmios esses pela divulgação da história de Mogi. Autor do livro “Mogy Antiga”, é membro da AMHAL - Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras.

Comente abaixo