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Verão pede atenção redobrada: como proteger crianças da desidratação e da insolação

Especialista orienta sobre hidratação, alimentação e cuidados com o calor intenso

No verão, o calor intenso exige cuidados especiais com as crianças, pois os riscos de desidratação e intoxicação alimentar aumentam. Para ajudar a evitar complicações, a hidratação deve ser uma prioridade constante. A pediatra Dra. Cristina Poletti, especialista em Pediatria, Neonatologia e Terapia Intensiva Pediátrica, alerta que “As crianças muitas vezes esquecem de beber água durante as brincadeiras e perdem líquidos rapidamente com o suor, o que torna a hidratação constante essencial.” Para bebês em aleitamento materno, o peito deve ser oferecido em livre demanda, enquanto crianças maiores devem receber água várias vezes ao dia, mesmo sem pedir. Água filtrada ou mineral é a mais indicada, e água de coco natural pode complementar, mas não substituir a água. Bebidas industrializadas, refrigerantes e sucos artificiais devem ser evitados.
A alimentação também merece atenção especial. O ideal é oferecer refeições leves e frescas, priorizando frutas ricas em água, como melancia, melão, laranja, pera e uva. Refeições menores e mais frequentes ajudam a evitar indisposições, e sorvetes ou geladinhos podem ser oferecidos com moderação, preferencialmente caseiros ou industrializados de procedência confiável. O calor pode reduzir o apetite das crianças, mas essa diminuição geralmente é temporária e não prejudica a criança se ela estiver ativa, hidratada e mantendo peso adequado. “Mesmo nos dias mais quentes, é importante manter a rotina de horários da alimentação, oferecer alimentos leves e respeitar os sinais de fome e saciedade da criança”, enfatiza a médica.
No verão, o calor favorece a multiplicação de bactérias, aumentando o risco de intoxicação alimentar, especialmente em crianças, que são mais vulneráveis. Preparações com ovos crus ou mal cozidos, laticínios sem refrigeração, proteínas mal conservadas ou mal passadas, alimentos gordurosos ou recheados com cremes devem ser evitados. Em passeios e atividades ao ar livre, recomenda-se transportar os alimentos adequadamente, higienizá-los e garantir hidratação constante. “Planejamento e cuidado fazem toda a diferença para que a criança aproveite o verão sem riscos”, afirma Dra. Poletti.
As necessidades de líquidos variam conforme idade, peso e nível de atividade. Bebês até seis meses devem manter exclusivamente leite materno ou fórmula, sem água, salvo orientação médica. Entre seis e 12 meses, pequenas quantidades de água podem ser oferecidas, mantendo o leite como principal fonte de líquidos. Crianças de um a três anos precisam de cerca de um a 1,5 litro de líquidos por dia, e de quatro a oito anos, aproximadamente 1,3 a 1,8 litro, podendo aumentar em dias muito quentes ou com atividade física. Não se deve esperar que a criança peça água; a oferta deve ser regular.
Já sobre a insolação, que é uma condição grave causada pela exposição excessiva ao calor e ao sol intenso, ocorre a elevaçãorápida da temperatura corporal e pode afetar cérebro e órgãos. Crianças são mais vulneráveis devido à regulação térmica imatura, maior perda de líquidos e dependência dos adultos para reconhecer sede ou mal-estar. Os sinais de alerta incluem pele quente, avermelhada e seca ou, no início, suor intenso; irritabilidade, confusão, sonolência excessiva, dor de cabeça, convulsões ou perda de consciência; boca e lábios secos, pouca urina ou urina escura, choro sem lágrimas em bebês; e náuseas, vômitos e dor abdominal.
O calor se torna risco grave quando a criança não consegue controlar a temperatura ou manter hidratação, especialmente em situações como estar em carro fechado, exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, falta de líquidos, atividade física intensa sem pausas, ambientes quentes e mal ventilados, ou crianças com doenças crônicas. Ao perceber sinais de insolação, é essencial agir imediatamente: levar a criança para sombra ou local fresco, retirar excesso de roupas, usar compressas frias em pescoço, axilas e virilhas ou banho morno e levemente fresco. Líquidos devem ser oferecidos apenas se a criança estiver consciente e alerta, e o atendimento médico imediato é indispensável.
“Quando o adulto está atento e disponível, os riscos diminuem e o bem-estar prevalece. O verão pode ser vivido com leveza, segurança e boas memórias, do jeito que a infância merece”, conclui a pediatra.

Dra. Cristina Poletti orienta sobre cuidados com o calor intenso e a alimentação de crianças

Redação

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