Esse foi o primeiro procedimento por vídeo executado com uma nova técnica em paciente idoso

Uma paciente de 82 anos passou por uma bem-sucedida cirurgia para tratar estenose grave do canal vertebral que desencadeia alterações neurológicas graves de força e marcha. O procedimento minimamente invasivo de alta complexidade foi realizado pela primeira vez na Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes por uma equipe especializada chefiada pelo ortopedista dr. Marcelo Campos Oliveira.
A descompressão lombar endoscópica pela técnica interlaminar over the top é um procedimento que emprega um canal de trabalho por vídeo inserido pelas costas (via interlaminar), possibilitando descomprimir os nervos de ambos os lados da coluna por meio de uma única incisão de menos de 1 centímetro. “É como olhar pela fechadura para visualizar um palácio onde o cirurgião vai agir”, compara Oliveira, que é o coordenador-chefe de uma das equipes de Ortopedia do Pronto-Socorro da Santa Casa. A intervenção durou cerca de quatro horas, neste sábado (8/8), e a paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte.
Em relação ao método convencional de cirurgia aberta, a técnica utilizada representa menor agressão tecidual e, com isso, menos sangramento, menos dor e menor risco de infecção pós-operatória, além de recuperação mais rápida. “No caso dessa paciente, o procedimento levou mais tempo porque foram descomprimidos dois níveis da coluna extremamente apertados e isso requer mais cuidado”, explica o ortopedista cirurgião de coluna dr. Danilo Lira Gianuzzi, membro titular da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT). Já a correção de uma hérnia discal simples por esse método, completa ele, leva de 20 a 30 minutos.
Segundo Gianuzzi, a paciente já sente um alívio no dia seguinte à cirurgia, porque diminui a sensação de peso na perna e ela consegue andar melhor. Ele destaca que a mobilidade aumenta a cada dia e, dentro de um mês, a melhora é bem expressiva. O especialista adverte que “sem essa cirurgia, ela iria cada vez mais ter dificuldades para andar”, além de sofrer com dores lancinantes.
Uma providência considerada essencial nesse formato de cirurgia é o monitoramento contínuo por neurologista. É a chamada neuromonitorização eletrofisiológica intraoperatória, que acompanha, em tempo real, o funcionamento (saúde) das estruturas nervosas durante a descompressão. “Funciona como uma ferramenta adicional de segurança, ajudando a reduzir o risco de déficits neurológicos, como perda de força, alterações de sensibilidade ou outras sequelas”, resume Gianuzzi.
“O nervo é como um cabo de alta tensão. A intervenção cirúrgica é como um galho. Se encostar indevidamente, causa um curto-circuito”, afirma Oliveira reforçando a complexidade da cirurgia.
Com anos de experiência em centros cirúrgicos de diferentes regiões do Estado, Gianuzzi conta que realizou uma cirurgia desse porte pela primeira vez em um hospital filantrópico como a Santa Casa de Mogi. “Achei ótimo! Aqui, a estrutura é igual e até melhor do que em hospitais particulares”, avaliou.


