Apaixonado pela história de Mogi, o colunista do jornal A Semana enfrentava complicações de saúde decorrentes de um quadro renal crônico

Faleceu na madrugada desta quinta-feira (17), na Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes, o designer gráfico, escritor e pesquisador Rosival dos Santos, carinhosamente conhecido como Rouxinol, aos 63 anos. Apaixonado pela história de Mogi, o colunista do jornal A Semana enfrentava complicações de saúde decorrentes de um quadro renal crônico.
Rouxinol dedicou mais de quatro décadas de sua vida a garimpar, catalogar e divulgar a história de Mogi das Cruzes. Dono de um vasto e rico acervo particular com jornais centenários e relíquias impressas, ele encontrou no jornal A Semana – onde assinava a coluna Mogy Antiga – o canal perfeito para compartilhar sua paixão pela cidade. O sucesso de seu trabalho culminou no lançamento de seu livro homônimo em dezembro de 2021, pela Lopes & Acioli Editora. Em setembro de 2024, ele tomou posse como membro da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (AMHAL).
Amigos, familiares e colegas de imprensa lamentaram a partida de Rouxinol. O jornalista e editor Rogério Lopes conta que, quando conheceu Rouxinol, lhe deu uma edição do jornal O Liberal. “Desde então, ele se apaixonou pela história da cidade, passando a colecionar e pesquisar tudo sobre Mogi”, lembra. A partir daí, muitos amigos começaram a juntar e doar documentos antigos, jornais, revistas, tanto físicas quanto digitais, aumentando, assim, o seu acervo. Rouxinol colecionava revistas comemorativas do aniversário de Mogi datada de 1948, bem como lista telefônica de 1970, jornais de 1935, 1955, entre outras coisas.
Rogério Lopes, que teve a honra de editar seu primeiro e único livro dele, “Mogy Antiga”, lançado em 11 de dezembro de 2021, conta que, de 1980 até 1982, estudaram juntos no Colégio Washington Luiz. “Nessa época, Mogi não tinha muitas opções de lazer. Então, a gente se reunia na casa de amigos para tocar violão, bater papo e passar o tempo”, conta ele, ainda impactado com a notícia da morte do amigo.
“É difícil olhar para nossa história sem sentir uma profunda emoção. Nossa amizade nasceu em 1979 e atravessou os anos, passando pelos estudos, pelo trabalho e por tantos momentos que hoje guardo com ainda mais carinho. Conheci sua família, acompanhei um pouco de sua trajetória e pude perceber, desde cedo, a pessoa dedicada que ele era e o amor que carregava pela arte, pela literatura e, sobretudo, por Mogi das Cruzes. Como historiador e artista gráfico, Rouxinol não apenas pesquisou Mogi das Cruzes: ele ajudou a preservar sua memória, seus personagens, suas histórias e suas transformações, revelando a cidade através do olhar de quem verdadeiramente a amava”, disse Lopes, concluindo: “Rouxinol Mogi voou hoje, mas deixou sua marca”.
O historiador Glauco Ricciele também fez questão de exaltar o tamanho da contribuição de Rosival dos Santos para a identidade do município: “Mogi das Cruzes perde não apenas um pesquisador, mas um guardião dentre vários da nossa memória coletiva. A partida de Rouxinol abre uma lacuna no patrimônio cultural e histórico. Para nós, que compartilhamos o mesmo ofício e o amor pelas raízes mogicruzenses, sua trajetória sempre foi sinônimo de generosidade e compromisso com o que fomos e com o que somos. Ele sabia que preservar o passado é o único modo de assegurar a identidade de uma cidade para o futuro. Deixa saudades e o dever de darmos continuidade à escrita, pesquisa e difusão de nossa história”.
A Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (AMHAL) lamentou a perda de Rosival dos Santos, por meio de seu presidente, o artista plástico e fotógrafo Ismael Mendonça, de 67 anos: “O falecimento do confrade Rouxinol deixa não apenas uma cadeira vazia, mas uma lacuna imensurável na preservação da memória e da identidade cultural de Mogi das Cruzes, cidade que ele tanto amou e à qual dedicou grande parte de sua vida. Deixou uma vasta literatura, onde escrevia semanalmente sobre a nossa cidade e também com o livro ‘Mogy Antiga’. Ocupava a cadeira número 16, que tem como patrono o ilustre Abib Neto. Desde a sua posse, era sempre ativo e não media esforços para engrandecer as atividades da entidade. Para nós, sua ausência será sentida em cada reunião. Ele parte deixando um legado indelével de amor às letras e à sua terra natal.”
Quem era
Mogiano, Rouxinol era designer gráfico talentoso, com trabalhos em vários jornais da região. Pesquisador da história de Mogi há quarenta anos, recebeu vários prêmios: duas vezes o “Profissionais do Ano” e uma vez “Personalidades de Mogi e Região”. Autor do livro “Mogy Antiga”, era membro da AMHAL – Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras, onde tomou posse em setembro de 2024
Despedida
Nos últimos anos, Rouxinol enfrentava problemas decorrentes de problemas renais e fazia hemodiálise. Chegou a fazer amputação das pernas e estava na fila de transplante, que, infelizmente, não deu tempo de fazer. Rouxinol faleceu na madrugada do dia 17, na Santa Casa de Mogi das Cruzes, onde estava internado. O velório ocorreu na sexta (18), das 8h às 10h, no Velório de Brás Cubas, quando foi realizado o enterro, às 10h30, no Cemitério da Saudade.
HOMENAGENS DOS AMIGOS

PAULO PINHAL – ARTISTA PLÁSTICO
“Ao amigo Rouxinol Mogi,
Hoje, Mogi das Cruzes se despede de Rouxinol. E há uma tristeza particular em perder alguém que dedicou tanto de sua vida a guardar a vida de uma cidade.
Rouxinol olhava para Mogi com a atenção de quem ama. Onde muitos viam apenas uma rua, um prédio antigo ou uma fotografia esquecida, ele encontrava histórias, pessoas, lembranças que mereciam continuar entre nós. Sua pesquisa e suas palavras nos ajudavam a reconhecer o valor daquilo que a pressa tantas vezes nos impede de enxergar.
Mesmo com a mobilidade física reduzida, Rouxinol nunca deixou de se movimentar intelectualmente. Continuou percorrendo a história, fazendo descobertas, ligando épocas e compartilhando conhecimento. Havia sempre uma curiosidade levando seu pensamento adiante, uma lembrança pedindo passagem, uma história de Mogi esperando para ser contada.
Pessoas assim nos fazem pensar sobre o que significa pertencer a um lugar. Amar uma cidade exige atenção. É se importar com o que ela preserva e com o que deixa desaparecer. É querer conhecer quem veio antes de nós e compreender como suas vidas ainda estão presentes nas nossas. Rouxinol cultivou esse amor durante décadas e o dividiu com todos que encontravam seus textos.
Sua partida deixa saudade e uma responsabilidade para quem fica: continuar olhando para Mogi com interesse, cuidar de sua memória e valorizar as pessoas que se dedicam a ela. Que saibamos ouvi-las, reconhecer seu trabalho e demonstrar nosso carinho enquanto podemos estar juntos.
Hoje, penso nas histórias que Rouxinol ainda gostaria de contar. E agradeço por todas aquelas que ele conseguiu nos deixar. Cada uma delas permanece como uma oportunidade de reencontro: basta abrir um texto seu para encontrar, outra vez, seu olhar sobre a cidade.
Descanse em paz, Rouxinol. Obrigado por nos ajudar a conhecer e amar Mogi mais profundamente.
Você dedicou sua vida a lembrar tanta gente. Agora, cabe a nós lembrar de você.”
ROGÉRIO LOPES – JORNALISTA
“Conheci o Rosival dos Santos, o Roxinol Mogi, em 1979, e é difícil olhar para essa história sem sentir uma profunda emoção. Nossa amizade nasceu naquela época e atravessou os anos, passando pelos estudos, pelo trabalho e por tantos momentos que hoje guardo com ainda mais carinho. Conheci sua família, acompanhei um pouco de sua trajetória e pude perceber, desde cedo, a pessoa dedicada que ele era e o amor que carregava pela arte, pela literatura e, sobretudo, por Mogi das Cruzes.
Lembro-me de que, naquele início de nossa amizade, presenteei-o com um exemplar do jornal “O Liberal”, uma publicação do começo do século XX. Muitas vezes, ele me contou que aquele presente foi um dos incentivos que lhe deram coragem para começar a pesquisar, escrever e mergulhar cada vez mais profundamente na história de nossa cidade. E ele fez isso com paixão. Como historiador e artista gráfico, Rouxinol não apenas pesquisou Mogi das Cruzes: ele ajudou a preservar sua memória, seus personagens, suas histórias e suas transformações, revelando a cidade através do olhar de quem verdadeiramente a amava.
Carregou Mogi consigo, no nome, no coração, no trabalho e em tudo aquilo que produzia. Para mim, porém, além do historiador e do artista, ficará sempre o amigo: aquele que sabia cultivar amizade, consideração e carinho por aqueles que faziam parte de sua vida. Receber hoje a notícia de sua partida me traz uma tristeza imensa. Fica a saudade de um amigo que conheci ainda jovem e que, de alguma maneira, também ajudou a construir a memória da cidade que nós dois aprendemos a amar.
“Rouxinol Mogi voou hoje”, mas deixou sua marca.
ISMAEL MENDONÇA – PRESIDENDE DA AMHAL
A Academia Mogiruzense de História, Artes e Letras (AMHAL) está enlutada pela perda de nosso querido confrade Rosival dos Santos, o qual era mais conhecido como Rouxinol. O falecimento do confrade Rouxinol deixa não apenas uma cadeira vazia, mas uma lacuna imensurável na preservação da memória e da identidade cultural de Mogi das Cruzes, cidade que ele tanto amou e à qual dedicou grande parte de sua vida. Deixou uma vasta literatura, onde escrevia semanalmente sobre a nossa cidade e também com o livro Mogy Antiga. Ocupava a cadeira número 16, que tem como patrono o ilustre Abib Neto.
Desde a sua posse, em 1º de setembro de 2024, data essa de aniversário de nossa cidade, teve uma trajetória na AMHAL, que foi marcada por ser sempre ativo e não media esforços para engrandecer as atividades da entidade. Para nós da querida AMHAL, a ausência dele será sentida em cada reunião. Ele parte deixando um legado indelével de amor às letras e à sua terra natal. A saudade é profunda, mas o consolo reside na certeza de que sua contribuição para a cultura mogiana jamais será esquecida. A sua história agora faz parte da própria história que ele tão bem ajudou a escrever.”


