
Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser omissão. O Brasil vive um desses momentos. A corrupção, os desvios de recursos, as suspeitas envolvendo agentes públicos e a sensação de impunidade alimentam uma descrença cada vez maior nas instituições. Não é preciso transformar indignação em discurso partidário para reconhecer que existe um problema grave: quando o dinheiro público é mal utilizado, quem paga a conta é o cidadão.
As notícias recentes mostram que o problema não pertence a um único partido, governo ou esfera administrativa. Operações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União continuam investigando suspeitas de corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos em diferentes regiões do País. Em julho, por exemplo, uma operação investigou supostos desvios de emendas parlamentares no Rio de Janeiro, com medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
O mais preocupante, porém, não é apenas o volume de investigações. É a distância que parece existir entre aqueles que exercem o poder e a população que sustenta o Estado com seus impostos. Enquanto faltam recursos para serviços essenciais e milhões de brasileiros enfrentam dificuldades, qualquer suspeita de apropriação indevida do patrimônio público representa uma afronta ao princípio básico da administração: servir ao interesse coletivo.
É importante também não confundir investigação com condenação. Acusações precisam ser apuradas, provas analisadas e responsabilidades definidas dentro da lei. O Estado de Direito não pode ser substituído pela condenação antecipada, pelo linchamento público ou pela disputa política. Mas justamente por isso a sociedade precisa exigir investigação, transparência e prestação de contas.
A própria CGU reconhece a transparência como instrumento fundamental de prevenção à corrupção e de controle social. O problema é que leis e mecanismos de controle somente produzem resultados quando acompanhados de instituições firmes, fiscalização efetiva e respeito ao dinheiro público.
O Brasil não precisa de salvadores da pátria. Precisa de instituições que funcionem, autoridades que prestem contas e cidadãos que não desistam de fiscalizar. Democracia não é cheque em branco entregue a quem ocupa um cargo. É responsabilidade permanente.
Se há lama, que se investigue sua origem. Se há corrupção, que se apure e, comprovada a culpa, que haja responsabilização. E se há dinheiro público, que fique claro: ele pertence à sociedade.


