A Semana



Amor abundante: A maternidade em famílias numerosas

Rotinas intensas e o apoio mútuo transformam o cotidiano de mães mogianas

No segundo domingo de maio (10), celebramos o Dia das Mães, nos convidando a comemorar a data para além de presentes, mas para reacender o significado desse momento carregado de afeto, memórias e comunhão. É quando o amor mais puro e incondicional ganha voz nas lembranças, nas saudades, nos gestos e, principalmente, nas histórias. Mas o quão grande é o coração de uma mãe? Nesta edição, trazemos relatos de mulheres com amores que são divididos não para um ou dois, mas para muitos. Famílias grandes demandam tempo, atenção e recursos que somente mães seriam capazes de mover céus e terras para providenciar.
No bairro do Socorro, também em Mogi das Cruzes, Renata Sponda de Almeida, de 31 anos, vive a expectativa da chegada do sexto filho. Casada com Marcel Pupo, Diretor administrativo do Jornal A Semana, ela é mãe de Cássio (9), Ícaro (6), Cecília (3) e dos gêmeos Pedro e Lucas, de apenas 6 meses. O bebê que completa a família deve nascer em outubro de 2026. Renata é assessora de casamentos desde 2016 e conta que sua trajetória empreendedora sempre foi acompanhada por uma gestação ou um bebê no colo. Renata possui uma rede de apoio externa presente, composta por avós, tias e primos, mas destaca o marido como seu principal parceiro no cuidado diário. A rotina é estruturada em conjunto, aproveitando a liberdade do trabalho home office para manter os filhos em casa no contraturno escolar. “A rotina da casa é a mesma pra todos… o que é mais trabalhoso é acompanhar as demandas da escola”, explica.
A adaptação para acomodar tanta gente exigiu mudanças práticas, como a retirada de itens perigosos, o compartilhamento de quartos e uma gestão rígida do orçamento, priorizando mercado e farmácia em detrimento de jantares fora ou viagens frequentes. Sobre a atenção individualizada, Renata acredita na força do coletivo: “Somos uma família, compartilhamos tudo com todos… essa é a riqueza de sermos uma família numerosa”. O planejamento para tantos filhos nunca foi rigoroso; as gestações foram sendo aceitas como presentes divinos. “Meu marido sempre falou em ter 5 filhos, mas não achei que aconteceria, fomos aceitando todos os filhos que Deus nos presenteou”. Sobre o olhar do outro, Renata encara com naturalidade e diversão o impacto que causam ao passear em público. “Nos divertimos com as expressões e reações das pessoas, principalmente quando falamos que tem outro na barriga”. Para ela, o maior conselho para quem espera o quarto filho em diante é entender que o apoio no dia a dia é mais valioso que qualquer teoria, pois essas mulheres já conhecem a realidade da luta diária.
Já no Jardim Camila, em Mogi das Cruzes, vive Luana Camila Campos, de 42 anos. Mãe solo de sete filhos, viu sua jornada na maternidade começar cedo, aos 18 anos, e se estender até os 38.
O time de filhos é composto por Guilherme (23), que trabalha com informática; Gabriel (20), que a ajuda na loja; Lara Camila (17), no último ano do ensino médio; Laís Camila (12), a atleta da família; Luísa Cristina (10), sua parceira de bagunça; Ana Lívia (7), a carinhosa “Pandinha”; e a caçula Lisie Vitória, de 4 anos. A rotina é o que ela define como “uma loucura gostosa”, onde o caos e a alegria caminham lado a lado. Luana detalha que, como moram todos juntos, o dia começa cedo com uma logística escolar complexa: leva a Lara em uma escola, a Ana em outra, a Luísa em outra e a Lisie na creche, antes de seguir para a faculdade de Fisioterapia, curso que conclui este ano. Após as aulas, ela busca as filhas e segue para o trabalho como técnica de segurança do trabalho na CPovos, cargo que ocupa há 15 anos. Além disso, ela administra sua própria loja de uniformes e brindes personalizados.
A chegada de Lisie transformou a realidade da família. Aos dois meses, Luana percebeu que a filha era diferente e, após muita insistência, descobriu que a bebê sofrera um AVC intrauterino, resultando em paralisia cerebral. O diagnóstico médico era desanimador, indicando que ela não falaria nem andaria, mas Luana e os irmãos se uniram em um propósito de reabilitação intensa. “Eu iniciei tudo que eu pude de terapia… eu e meus filhos… fechei uma loja que eu tinha… minha vida se transformou por ela… e por eles”, relata Luana. Hoje, contrariando as previsões, Lisie fala e anda. A rede de apoio de Luana são os próprios filhos, que se dividem nas tarefas domésticas como uma equipe. Sobre o julgamento social por ter muitos filhos de pais diferentes, ela é enfática: “Eu apenas caio na risada… sustento, mantenho a vida social de todos, ninguém tá no mal caminho… então eu só tenho a me orgulhar”. Luana afirma que não houve planejamento, mas sim a realização de um sonho de infância: “Sempre sonhei em ser mãe… qndo pequena meus pais perguntavam oq eu queria ser qndo crescer e eu dizia: mãe”. Mesmo com as dificuldades financeiras e o alto custo de vida, ela mantém o otimismo, promovendo passeios econômicos como ver o sol nascer na praia. “Eu amo muito meus filhos, mas eu me amo também… se eu não estiver bem, eles não estão bem”.
E mesmo contrariando padrões que indicam que o desejo da maternidade passa distante do cenário atual, histórias como a de Renata e Luana reforçam como uma família numerosa pode ser mais do que uma casa cheia de crianças, mas sim, uma equipe unida e um porto seguro de amor e felicidade.

Redação

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