Um julgamento interminável

Publicado em 26 08:00:44/04/2013

     

Finalmente foi publicado o acórdão do processo do mensalão: são 8.405 páginas relatando tudo o que foi discutido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Com a publicação do documento, os advogados de defesa têm até 2 de maio para apresentar os recursos dos condenados na ação. Os nomes fortes do processo são citados milhares de vezes ao longo do acórdão. O pódio ficou para Marcos Valério, tido como o operador do esquema: ele foi citado mais de sete mil vezes. Já o deputado federal mogiano Valdemar Costa Neto, o Boy, teve seu nome citado 1.346 vezes. A defesa do parlamentar, com forte base política em Mogi, deverá tentar reverter a decisão de cassar o seu mandato. No entanto, muito dificilmente o deputado perderá o cargo antes das próximas eleições, o que lhe dará um certo conforto para administrar o seu poder a partir de Brasília até 2014.

Apesar do processo parecer ser interminável, já que o escândalo foi descoberto em 2005, ainda há ministros do Supremo que apoiam uma certa cautela na análise dos recursos. É o caso de Ricardo Lewandowski, revisor do processo, que, na última terça-feira (23), afirmou que a Corte não pode ter pressa para concluir o julgamento do mensalão, a fim de garantir o amplo direito de defesa dos réus. Claro, os ministros devem ser cautelosos, afinal, todos têm direito à defesa em tribunal. No entanto, pouco ou nada deveria mudar a opinião dos ministros, que se dedicaram a estudar o caso há anos. Causa até certa surpresa ver alguém querer colocar um freio no julgamento do processo. Todos nós esperamos um fim para este escândalo.

No entanto, esse fim está longe de acontecer. O Ministério Público não se intimidou e abriu um processo para investigar a ligação do ex-presidente Lula com o esquema do mensalão. Esse será provavelmente o ponto-chave de todo o processo, e só com a análise justa desse fato os brasileiros poderão respirar de alívio e ver os verdadeiros culpados atrás das grades. O Brasil merece um novo começo na política. E isso só acontecerá quando estivermos livres dos poderosos de Brasília que se acham inatingíveis.






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