Crianças e o novo coronavírus

Publicado em 17/07/2020

     

Se para os adultos já está sendo difícil lidar com o isolamento social decorrente da pandemia que estamos enfrentando, como ficam as crianças? Esse período restritivo pode alterar o seu comportamento?

Segundo o Prof. Me. David Sergio Hornblas, do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, o isolamento social, um ensino em novo formato para o qual não estão habituadas, o excesso de interação com mídias eletrônicas e jogos e a convivência familiar muito intensa, por vezes de forma inadequada, podem alterar o seu comportamento, com maior ou menor grau de dano em função da idade de cada criança.

O isolamento pode comprometer o desenvolvimento global da criança, e isso inclui a falta de convivência promovida em colégios. “A escola é o primeiro espaço social que a criança frequenta sem a tutela dos pais. E isso está adiado sem previsão de volta. Sobre os prejuízos, a análise é apenas teórica, pois a maioria das pessoas jamais viveu situação semelhante. Mas acredito que em diferentes graus pode, sim, prejudicar”, coloca.

 

Sinais de estresse

Outro ponto que merece atenção é a ansiedade e a preocupação causado na criança por tudo o que ela tem vivenciado. De acordo com o professor, isso não é uma regra, mas quando acontece é necessário que os pais as acolham e escutem diante do seu sofrimento.

“Muitos pais não veem grande importância na fala da criança. Quando se dão conta, que essa criança começou a apresentar sintomas – inquietação, ansiedade, medos inexplicáveis, entre outros. Nesse caso, o dano está produzido e aí deve-se tomar providências no âmbito da saúde. Os pais, sozinhos, não conseguem dar conta de crianças irritadiças, inquietas, desatentas, desorganizadas sócio-psicologicamente falando”, orienta Hornblas.

 

Papel dos pais

Para o professor, o principal desafio para os pais é considerar as crianças como pessoas em desenvolvimento, não como adultos em miniatura. Para isso, é preciso de escuta cuidadosa e afetiva. “Uma escuta inicial pode evitar grandes problemas psicológicos futuros”, diz Hornblas, que explica: a criança precisa se sentir segura, bem cuidada e respeitada nas primeiras relações que edifica no começo de suas vidas.

“Essas relações são com os pais ou responsáveis. Será a partir dessas relações iniciais que ela vai criar padrões relacionais para o resto da vida. Por exemplo, quem aprende apanhando, terá grandes chances de ensinar batendo. Além disso, vai considerar que bater é uma forma de resolver problemas, o que evidentemente é um equívoco”, ressalta.

A saudade de um ente querido, da professora e dos amiguinhos da escola, também precisa ser trabalhada. “A presença física certamente fará falta, mas é possível minimizar tal demanda com frequentes contatos telefônicos, vídeo-chamadas, entre outros mecanismos”, recomenda.

 

Tecnologia

Porém, o uso da tecnologia nesse momento em que os pequenos estão em casa deve ser feito com moderação. Deve haver uma medida equilibrada e negociada com os pais ou responsáveis sobre o tempo de uso dos recursos eletrônicos. Para as crianças menores de quatro anos, por volta de uma hora diária. De quatro anos até a idade escolar (seis anos), duas horas, abrangendo a TV. Acima dessas faixas etárias é necessário avaliar o momento do desenvolvimento global em que cada criança se encontra. “Mas de forma geral, posso dizer que tais atividades não devem passar de quatro horas por dia, incluindo o tempo de aulas on-line”, encerra o professor.






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