O buraco é mais em baixo

Publicado em 26/06/2020

     

Mais de três meses sem aulas presenciais. Pais, mães, avós, tios e outros responsáveis estão tendo de se virar com o isolamento social, o home office e as temidas aulas online. Nas redes sociais, muitos relatos bem-humorados dão conta da dificuldade de seguir com as atividades à distância dos pequenos, tendo até promessas de construção de altares para os professores, vistos hoje como seres angelicais inundados em paciência, que falta para muitos pais.

Agora este cenário já tem, à partida, uma data para acabar. O Governo de Estado anunciou esta semana a retomada, de forma parcial, das aulas presenciais a partir do dia 8 de setembro. Ou seja, só mais dois meses de quarentena.

A retomada das atividades das crianças é, ao mesmo tempo, um alívio e um sufoco. Por um lado, a notícia do retorno de uma certa normalidade acalenta o coração dos pais. Por outro, o medo de uma possível contaminação faz com que muitos pensem em não mandar os filhos para a escola este ano.

Só que o buraco é (muito) mais em baixo. Para que as aulas retornem, é necessário que o Estado esteja na fase amarela há pelo menos 28 dias seguidas. Isso significa uma maior flexibilização das atividades, ou seja, mais pais saindo do home office e retornando ao trabalho. Se os pais precisarem voltar antes do início das aulas, com quem ficam as crianças? Com os avós, considerados grupo de risco? E com esse rodízio de alunos, que abre a possibilidade de mesclar aulas presenciais com atividades online, não é perigoso que as nossas crianças possam levar o vírus para perto dos familiares que precisam seguir em isolamento?

A verdade é que estamos vivendo um tempo histórico, nunca visto pela nossa geração. Ninguém sabe muito bem o que fazer, nem como fazer. Então, vão fazendo testes para ver no que vai dar. Mas é importante que alguém pense nessa questão das nossas crianças. Hoje, muitos pais seguem fazendo trabalho remoto. Mas se precisarem voltar antes do retorno das aulas, que haja um apoio não só do governo mas também dos próprios empregadores para que tudo seja pensado na segurança dos envolvidos. Sim, o ideal seria que os pequenos só voltassem à escola com vacina, As crianças não têm noção de manter a distância, não vão entender porque não podem abraçar os amigos e a professora. Mas com a vacina prevista para, no mínimo, junho de 2021, e com muitos pais que não podem parar de trabalhar, fica complicado. Em um país com tanta desigualdade social, com famílias com muita dificuldade financeira, deixar as crianças em casa até o ano que vem  não faz parte da realidade da maioria dos brasileiros.






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