Mulheres guerreiras ou exaustas?

Publicado em 05/03/2021

     

Na próxima segunda-feira, dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. E já que o dia é delas, que tal falar de como as mulheres estão nesta pandemia?

Primeiro ponto: elas estão sobrecarregadas. Mais da metade das brasileiras passou a cuidar de alguém na pandemia. Às mulheres coube cuidar de familiares e filhos durante a pandemia, um quadro que as está levando à exaustão. Especialistas deram até um nome para o cansaço extremo que atinge, sobretudo as mulheres, em tempos de pandemia: fadiga pandêmica. 

Ou seja, se todo mundo está exausto nesta quarentena, as mulheres estão muito mais. Elas precisaram conciliar o trabalho home office com as aulas online dos filhos. Elas foram demitidas e também têm mais dificuldade de retornar ao trabalho. As mulheres, historicamente e por pura pressão social, precisaram conciliar as panelas com o trabalho em casa. 

Essa desigualdade sempre existiu, só foi mais acentuada no último ano. Às mulheres, ainda cabe o árduo julgamento da criação dos filhos, como se fosse tarefa exclusiva delas. Quantos homens, em entrevistas de emprego, são perguntados sobre com quem as crianças ficam? Quantos homens precisam pensar se a roupa vai chamar demasiado à atenção? Quantos parceiros pararam de usar o termo “ajudar” quando falam de executar tarefas domésticas? Quantos precisaram pedir demissão ou remanejar toda sua jornada de trabalho para conseguir acompanhar o estudo dos pequenos em casa? Poucos, é certo.

A sociedade está acostumada a apelidar mulheres sobrecarregadas de “guerreiras”. Mas as mulheres não são super-heroínas nem devem ser tratadas como tal. Multifacetadas? Sim. Extremamente competentes em tudo a que se propõem a fazer? Também. Exaustas? Mais do que nunca.

Que neste Dia da Mulher possamos repensar o papel feminino na sociedade. Que todas possam ter o respeito e o descanso que merecem. Que a cada dia que passe possamos todos, homens e mulheres, dar mais um passo rumo à igualdade. 

Ser mulher não precisa nem deve ser equivalente a dar conta de tudo. Que o próximo dia 8 de março, o primeiro Dia da Mulher na pandemia, sirva para todos refletirmos de que o lugar da mulher é onde ela quiser, mas que ela não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo.






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