Lágrimas da Mãe Terra, por Miriam Amélia Kucinskis

Publicado em 09/06/2021

     

"Sulcaram o meu corpo

nele se fez tatuagens,

não reclamei, não disse nada.

A desculpa era o arado,

o plantio, a sobrevivência.

Entendi e colaborei.

Depois vieram as punções,

retirando de minhas veias

o meu precioso sangue.

Não reclamei, não disse nada.

A desculpa era a irrigação,

os poços artesianos

para aprimorar a agricultura

e o saneamento básico.

Não reclamei, não disse nada.

Entendi e colaborei.

Depois veio a extração de minérios,

do petróleo tão necessário ao meu equilíbrio.

Minaram as minhas forças

pouco a pouco numa ganância sem fim.

Ainda assim, não reclamei,

não disse nada, compreendi.

Agora a depredação dos mares,

das matas, do ar, num desrespeito total

a esse corpo que só soube dar.

Só soube compreender e colaborar.

Basta! Não ficarei mais calada!

Derramarei minhas lágrimas,

reclamarei meus direitos,

colocarei ordem na casa.

Chamarei em meu socorro os ventos,

as tormentas, os ciclones

e maremotos, vocês verão!

Não deixarei pedra sobre pedra,

até que vocês, os que sobrarem,

aprenderem a me tratar com o apreço

que eu mereço".






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