Por que as pessoas 'furam' a quarentena?

Publicado em 10/07/2020

     

Estamos vivendo um momento histórico no mundo repleto de incertezas e informações inconstantes. Estima-se que pelo menos 2,6 bilhões de pessoas foram colocadas sob alguma forma de quarentena em março em todo o mundo. Isso representa um terço da população mundial.

Enquanto a Europa começa a afrouxar as regras de quarentena, o Brasil segue com recomendações de isolamento social. Mas, com mais de 100 dias fechados em casa, notícias de pessoas “furando” a quarentena e se reunindo com amigos são cada vez mais comuns.

O deputado federal Guilherme Mussi, que tem forte base eleitoral em Suzano, foi alvo de reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, do último domingo, dia 5, precisamente por promover festas durante a pandemia. O MC Kevin, que mora no Aruã, chegou também a ser denunciado pelos vizinhos por furar a quarentena em maio. Ele chegou a testar positivo para o coronavírus. 

Quem “fura” a quarentena e se reúne com amigos e realiza festas acaba não sendo bem visto. Nas redes sociais, os flagrantes, sobretudo de famosos, são publicados com desaprovação e os atos são chamados de irresponsabilidade. 

De acordo com a psicóloga Priscilla Paccitto, essa ruptura das regras tem explicações quando o assunto é saúde mental. “Vejo dois motivos para isso: a desorganização política do nosso país e comportamentos de sabotagem no intuito de privilégios na busca dos sentimentos de se beneficiar e não se sentir controlado”, explica.

Ou seja, as pessoas que estão furando a quarentena não o fazem exatamente por desacreditarem da gravidade do vírus, mas sim por estarem se sentindo sufocadas ou reprimidas, até mesmo pela cultura que carregamos do nosso país que aqui pode-se tudo, ou seja o “jeitinho brasileiro”. Segundo a psicóloga ,“tais sentimentos de sufocamento podem fazer com que algumas pessoas procurem rotas de fuga, comportamentos de manipulação para administrar estas circunstâncias”, afirma.

A especialista reforça a importância de se seguir as recomendações das autoridades de saúde, mas deixa claro que a pandemia mexe realmente com as emoções: “É natural na vida sentirmos medo, sensação de vulnerabilidade, angústia, episódios de tristezas e temor com relação ao futuro. Porém, em tempos de isolamento social, tais sentimentos podem intensificar e trazer à tona atitudes e pensamentos descontrolados”.






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