Vereadores cobram do prefeito flexibilidade para abertura do comércio

Publicado em 27/05/2020

     

O Plenário da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes discutiu o Plano São Paulo, do governador João Doria (PSDB), que prorroga a quarentena por mais 15 dias no Estado e determina, de forma escalonada, a reabertura de alguns setores do comércio. Mogi das Cruzes, por determinação do plano, ficou de fora da imediata flexibilização das atividades econômicas, fato que irritou parte dos vereadores, que durante a sessão ordinária desta quarta-feira (27), debateram as medidas de Dória.
 
Por iniciativa do vereador Mauro Araújo (MDB), o Legislativo fez um requerimento verbal ao prefeito Marcus Melo (PSDB), pedindo para que ele, por decreto, se posicione contra o Plano São Paulo e anuncie medidas para reabrir alguns setores do comércio do Município. “Estamos vivendo um momento muito difícil, há mais de sessenta dias de isolamento. Esta Casa tem dado subsídio à administração municipal, em medidas, muitas vezes amargas. Quero fazer um requerimento verbal ao prefeito para que emita um decreto e se coloque contrário ao Governo do Estado de São Paulo”, afirmou.
 
A proposta aprovada, no entanto, não teve apoio total da Casa. Os vereadores petistas Rodrigo Valverde e Iduigues Martins, mesmo reconhecendo a importância de salvar a economia e ajudar as pessoas que estão sem emprego, mostraram preocupação com a flexibilização e votaram contra a iniciativa. Além da bancada do PT, também votaram contra o Requerimento os vereadores Cuco Pereira (PSDB) e Protássio Nogueira (PSD). “Oito por cento da população, de acordo com o secretário de Saúde, está infectada. Se a gente flexibilizar, esses 8% aumentarão em um curto período de tempo. Será que nesse momento onde mais morre gente em Mogi é hora de flexibilizar?”, questionou Valverde.
 
“Fico muito preocupado com a ansiedade de fazer o comércio funcionar com quase 30 mil pessoas mortas e crescendo. O mundo inteiro adota medidas sobre flexibilização quando o número de mortes e de infectados caem. Quero entender o porquê da ânsia de fazer a loja de carro e academia voltarem a funcionar com tanta gente morrendo. Emprego a gente recupera, mas a vida não volta”, complementou Martins.
 
Os vereadores Antonio Lino (PSD), Cuco Pereira e Otto Rezende (PSD) defenderam uma posição mais moderada, de diálogo com o Prefeito Marcus Melo. “Essa casa tem que participar desse decreto. Muitas vezes nós estamos vendo uma posição diferente do prefeito. Acho que a iniciativa do vereador Mauro levantou uma discussão muito importante. Sou favorável, mas acho que a decisão deve ser técnica e não política. Quero participar desse decreto”, justificou Lino.
 
“Vamos primeiro nos reunir com o prefeito e saber se ele pode mesmo fazer isso. Nós temos que sentar todos e verificar o caminho que vamos seguir”, sugeriu o Cuco, que participou da sessão de forma remota, por meio de videoconferência.
 
O presidente da Câmara, vereador Sadao Sakai (PL), também se manifestou sobre a aprovação do Decreto: “Entendo a importância desse assunto nesse momento. Já conversei com o secretário de Desenvolvimento, até pelo questionamento de a capital já estar na fase dois, que permite flexibilização, e Mogi, na fase um, que mantém toda restrição que estamos no momento", observou.
 
Outra parte da Casa tomou uma posição totalmente contrária à determinação do Plano São Paulo, do Governo do Estado. O vereador Marcos Furlan (DEM) classificou como decepcionante o planejamento do governador João Doria. “Mogi foi enquadrada na Grande São Paulo, mas nossos dados não são iguais aos da grande São Paulo.  É hora de agir e não ficar somente esperando as decisões do governador, que vê a região do Alto Tietê como integrante da grande São Paulo”, defendeu.
 
O pastor Carlos Evaristo (PSD) também se manifestou, criticando as determinações de João Doria. “O governador não vive os problemas da cidade de Mogi das Cruzes. Precisamos voltar a trabalhar. Temos que começar a flexibilizar”, ressaltou.
 
Diegão Martins também foi duro nas críticas. “O governador João Doria está pouco se lixando para Mogi das Cruzes. Precisamos de uma posição do prefeito Marcus Melo ou que, no mínimo, comece a baixar as taxas, como a de água, por exemplo”.
 
Já o vereador Péricles Bauab (PL), que é médico, fez o uso da palavra para defender o fim do confinamento, contrariando todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde. “Não temos um programa como teve no Zica Vírus, sobre o que fazer em cada fase. Não houve um estudo e ninguém daqui foi consultado. Vocês me perdoem, mas como médico, está errado isso que está sendo feito”.
 
Também se manifestaram a favor da flexibilização do comércio os vereadores Caio Cunha (PODEMOS), Fernanda Moreno (PL) e Francimário Vieira Farofa (PL).






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