Papai ama, papai cuida

Publicado em 07/08/2020

     

O home office, imposto pela pandemia da Covid-19, fez com que muitos pais fortalecessem o convívio com as crianças. Se antes essa relação estava restrita ao final do dia e fins de semana, o isolamento social aproximou mais os pais dos filhos, trazendo à tona a necessidade de uma maior divisão das tarefas quando o assunto é cuidar dos pequenos. 

No entanto, em algumas famílias, a igualdade parental veio de forma natural – e muito antes da pandemia. É o caso do publicitário Douglas Araújo e da professora Lorena Carvalho. Pais do pequeno Luke, de 11 meses, a decisão de que seria Douglas a cuidar do filho em casa veio logo na gravidez. “Eu queria muito isso, então nem cogitamos dele ficar com outra pessoa, especialmente porque eu já trabalhava em home office”, conta. 

Com o nascimento de Luke, o compromisso de desempenhar seu papel foi bem natural, mesmo nunca tendo convivido com bebês. “Tive que aprender a trocar a fralda, dar mamá, fazer dormir, fazer arrotar, eu nem sabia vesti-lo”, brinca. Mas ele deixa bem claro: sua função nunca foi ajudar: “Pai não tem que ajudar, ele tem que fazer tudo, a responsabilidade é dos dois”.

 

Sozinho com o bebê

Após o fim da licença-maternidade da esposa, chegou a hora de enfrentar o desafio de ficar sozinho com o bebê. A mãe deixava leite e, o resto, era com Douglas. “Os primeiros dias foram bem tensos. No começo ele chorou muito quando acordou e não viu a mãe. Teve um dia que liguei para a minha esposa pois não sabia mais o que fazer para ele parar de chorar”. Mas os dias foram passando e a relação entre os dois melhorou. A rotina foi estabelecida, entre passeios no condomínio, leitura de livros e muitas brincadeiras. Aos poucos, tudo foi ficando bem.

Agora, na quarentena, Douglas segue desempenhando o seu papel. Lorena, que é professora, dedica parte do dia às aulas online. Quando acaba, se reveza com o marido para que ele possa trabalhar.  “Estamos nos desdobrando, como a maioria das famílias. Cansa, mas vale a pena”.   

 

Nada comum

Douglas e Lorena sempre levaram a sério a questão da igualdade parental, mas quando contaram para a família que seria ele a cuidar de Luke, a decisão causou estranheza. “Ninguém, ninguém mesmo me levou a sério. Sempre perguntavam se ele estava bem. Até hoje sempre tem alguém que se surpreende”.

A reação não é exclusiva. Uma pesquisa realizada em 2019 pela Ipsos em parceria com o Instituto Global para a Liderança Feminina do King’s College London, do Reino Unido, mostra que 26% dos entrevistados consideram que pais que ficam em casa cuidando dos filhos perdem masculinidade. O Brasil, aliás, é o terceiro país que mais concorda com a afirmação, atrás apenas da Coreia do Sul e Índia. 

“Temos aquele tradicionalismo arcaico de o homem sair para trabalhar e a mulher cuidar dos filhos, isso está enraizado em nós. Então quando alguém faz algo diferente do que a maioria faz, as pessoas estranham”, diz Douglas. 

Mas ele não troca cuidar do filho por nada. “Estar presente nas descobertas dele é incrível. Dividir toda a dificuldade faz com que mós três nos sintamos mais seguros e com que essa nova fase seja bem mais tranquila”. E o relacionamento familiar, claro, agradece. 






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