Fundo Social lança campanha para arrecadar absorventes

Publicado em 14/05/2021

     

O Fundo Social de Mogi das Cruzes lançou a campanha Tia Chica, que tem por objetivo garantir a pessoas em necessidade o acesso a produtos de higiene menstrual. A ação nasce de uma realidade pouco divulgada, porém com números alarmantes: segundo organizações não governamentais e empresas do setor, cerca de 23% de pessoas que menstruam no país não têm condições de adquirir absorventes todos os meses.

Ainda de acordo com realizadores de pesquisas a respeito, mais do que uma questão financeira, a falta de acesso a produtos de higiene menstrual gera consequências como baixa frequência escolar ou no trabalho, aumento no risco de infecções pelo uso de produtos improvisados e inadequados, constrangimento, o que pode também levar à sobrecarga mental, além da transfobia.

Vale lembrar que algumas pessoas trans também têm período menstrual e que a ocorrência da menstruação pode gerar a chamada disforia de gênero, que consiste em um desconforto persistente diante de características que remetam ao gênero atribuído ao nascer.

Pensando nisso, o Fundo Social inicia mais esta ação, que visa arrecadar absorventes. As doações serão recebidas na sede do Fundo Social (1º andar no prédio-sede da Prefeitura), porém, em função da pandemia, a orientação é para que as pessoas façam contato prévio com o Fundo Social, pelo telefone 4798-5143 ou e-mail fundosocial@pmmc.com.br.

“O que as pessoas precisam entender é que o absorvente não é um item de beleza e sim um produto de higiene básica. Porém, com a situação econômica do país e os preços praticados no mercado, ele torna-se inacessível para muitos. Por isso, decidimos iniciar essa campanha, chamando a atenção para algo sobre o qual pouco se fala, porém que tem um impacto bastante considerável em todos que precisam fazer uso do produto”, destaca a presidente do Fundo Social de Mogi das Cruzes, Simone Margenet Cunha. 

 

Pobreza menstrual

A situação, também denominada de pobreza menstrual, não é uma realidade apenas no Brasil e os números são tão expressivos que, em 2014 a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que o direito à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos.

Pesquisas de mercado apontam que o um pacote com 20 unidades de absorventes tem custo médio de R$ 16,00 no Brasil. Importante lembrar que nem sempre um pacote é o suficiente para o ciclo mensal, portanto o custo médio pode dobrar, para R$ 32,00/mês. Vale lembrar ainda que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento domiciliar per capita do Brasil ficou em R$ 1.380,00 em 2020, uma queda de 4,1% em relação ao rendimento registrado em 2019, o que certamente é um reflexo também da pandemia no país. 






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