Nos últimos meses, Mogi das Cruzes anda aparecendo mais em rede nacional de programas jornalísticos de emissoras de televisão. Para se chegar a este patamar, saiba, caro leitor, que é preciso um fato jornalístico de relevância informativa, que mexa com a vida de muitas pessoas sob o aspecto positivo ou negativo e exiba algo muito, muito prejudicial à sociedade. E assim tem sido nos últimos meses: a morte em série dos bebês da UTI neonatal da Santa Casa por causa de infecção hospitalar que foi exibida para a todo o país e, agora, o trote violento que os veteranos de Medicina aplicam nos calouros.
Aliás, esta é uma situação que perdura há muitos anos. Sabe aquela história que todo mundo sabe, ouve falar, acontece todos os anos e ninguém faz nada? Não é de hoje os trotes da Medicina ocorrem desta forma aviltante e também há muito tempo os veteranos picham a cidade. Há alguns anos, essa situação era até considerada por muitos, engraçada, corriqueira. Hoje, com o mundo pensando de forma globalizada, com a violência de qualquer tipo sendo combatida de todas as maneiras e com a ética sendo discutida em todas as rodas, é inadmissível e inconcebível um comportamento deste tipo. Já era mais do que na hora de o Ministério Público, OAB e universidade tomar para si esta briga.
O que mais nos horroriza é que estamos falando de futuros doutores. Daquelas pessoas a quem uma hora ou outra precisaremos confiar nossas vidas e a de nossos filhos. Estamos também falando de futuros maridos e esposas, pais e mães que, quando os anos passarem, vão transferir essa maneira peculiar de viver a vida em forma de atos violentos dentro de casa. Claro que este texto fala dos alunos de modo geral, pois nem todos compactuam com tamanho absurdo.
Imputar a culpa a um, a outro, de nada adianta. Justificar tais atitudes porque estes alunos são filhinhos de papais considerando a alto custo do curso em questão, também não. Será que entra aí a teoria que defendem alguns estudiosos de que a família está em crise, que criamos filhos infelizes e desprovidos de valores? Respeito ao próximo, ética, amizade, respeito, atitudes não-violentas se aprende em casa ao longo da vida, faz parte da educação. Mas, como diria o grande filósofo brasileiro e socialista Leandro Konder: “A verdadeira revolução acontece no coração dos homens. Mas quem muda o coração dos homens?”. Pois é, a sociedade muda, a família muda e o próprio homem precisa tomar a iniciativa.
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