Um Brasil que não previne

Publicado em 15/02/2019

     

Nunca um início de ano foi tão trágico no Brasil. Mais de 300 mortos no crime ambiental (sim, Vale! Foi crime! Não foi acidente) de Brumadinho, as enchentes do Rio de Janeiro, o incêndio que matou os meninos atletas do Flamengo e, nesta segunda-feira, o terrível acidente que tirou a vida de Ricardo Boechat, um dos melhores jornalistas do Brasil.

Que lição podemos tirar de este início de ano que tem trazido tanto sofrimento? Uma delas é simples: no Brasil, se dá um jeitinho para tudo. Aqui, as pessoas não pensam em prevenir acidentes, mas sim em remediar desastres.

Um documento interno da Vale já previa, em outubro de 2018, os gastos com uma eventual ruptura da barragem de Brumadinho. O relatório, que contém informações sobre quanto custaria, quantas pessoas morreriam e quais as possíveis causas do colapso, é usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação que demanda adoção de medidas urgentes para evitar novos desastres.

A prevenção também poderia ter evitado a morte dos garotinhos flamenguistas. O alojamento não tinha licença ou documentação do Corpo dos Bombeiros. Também nunca foi vistoriado. O Flamengo, um dos times mais ricos do Brasil e que tanto dinheiro ganhou com talentos revelados, não soube cuidar dos seus meninos. E agora, não há mais nada a fazer por eles. 

E as falhas não ficam por aí. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu cautelarmente a RQ Serviços Aéreos Especializados, dona do helicóptero que caiu na última segunda e vitimou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto da aeronave. Segundo a agência, havia “indícios de prática irregular de táxi-aéreo” por parte da empresa, que não tinha autorização para esse tipo de transporte.

Agora vai ser assim. Dezenas de alojamentos de clubes serão vistoriados. Barragens por todo o país serão fiscalizadas. E o transporte aéreo ficará na mira das investigações.

Até que ninguém mais se lembre do que aconteceu. Até que o “jeitinho brasileiro” volte com força. Aí, todos já esqueceram. Até que a próxima tragédia aconteça. E assim seguimos. 






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